O Imortal Que Chora
Havia, há não muito tempo atrás, um salgueiro em meu jardim. Ele chorava todos os dias e todas as noites, mas eu não sabia por quê. Quando eu me sentia sozinho, ele me contava histórias de sua terra natal, ou de como sentia-se. Eu nunca o vi sem uma lágrima no rosto. Tenho saudade de ti, meu salgueiro. Tenho saudade do amargo verde que corria de teus olhos para a minha boca; do orvalho que repousava em teus braços enquanto tu choravas como sempre.
Salgueiro, quando te derrubaram, eu também caí. Eu sentia cada corte em ti feito; eu sangrava contigo. Te ver cair foi um golpe de tristeza que ainda me corrói de dentro para fora. Eles te mataram, salgueiro! E eu morri junto. Eu morri com minhas feições retorcidas pela dor, meu corpo distorcido pelo ácido que escapava de meu interior e tentando beber da última gota de tuas verdes lágrimas. Meu abdome ficou aberto, expondo todo o vazio que aqui sobrara; o vazio que me preenche. O machado não cortou somente a ti, mas também a mim. Chore, salgueiro; cobre teu tronco de escura cortiça de lágrimas. Chore para que eu ouça e um dia chegue onde tu estás.