Louva-A-Deus
Foram alguns minutos em tua presença, muito menos do que eu gostaria de ter passado. Alguns minutos não são o suficiente para admirar-te. Foi um momento varrido pelo tempo como tantos outros; mas diferente dos outros. Foi algo que eu quis viver. Foi algo que me fez querer viver. Ah, se eu estivesse falando de alguém, me acharia menos parvo, mas falo de ti, Louva-A-Deus. Embora tu não lembres de mim, eu falo só de ti.
Eu levar-te-ia a qualquer lugar; tuas asas seriam minhas. Tua liberdade teria um amigo, se é que posso assim me nomear. Minha saudade teria cura; minha vida, distração. Mas, Louva-A-Deus, olha o que eu te fiz. Olha o que eu nos fiz. Tu entrastes no meu quarto por breves momentos, me convidando a tudo realizar, aos sonhos visitar, e ainda assim… olha o que eu te fiz, Louva-A-Deus. Agora tu és devorado pelo tempo; mergulhas até as entranhas da vida, ainda aconchegado e com olhos que não me culpam, não me observam e sequer lembram de mim. Tu sentistes o calor da minha palma ao te segurar? Eu observava, mas tu continuavas a rezar. Então reza, Louva-A-Deus. Reza, pois eu não sei rezar.