Quem Dera Ser A Primavera
Noite passada, como quase nunca acontece, eu sonhei. No meu sonho, tu me punhas para dormir, me cobrias e pousavas um beijo ou dois na minha testa. Mas eu, infelizmente, não vivo em sonhos. Acordei aqui no meu mundo, na minha cama de pregos incandescentes, com a cabeça pesada e cansada de dúvidas. A única pergunta que teima em me perturbar, ou devo dizer, a única com a qual me importo, é a de sempre, uma velha companheira que não pretende me deixar tão cedo: o que faz eu me sentir vivo?
Seja qual for o jeito correto de viver, não tenho como ter certeza de que é o meu. Por isso, felizes sejam os que não precisam se preocupar em viver; o fazem por natureza. Não têm o que questionar ou criticar, tudo é idílico do jeito que é, e tudo tem uma razão de ser. Aos realizados, nada é perfectível.
Quem dera ser a primavera! Ao mesmo tempo, quem dera achar razões para o nada aqui dentro… Que belo jeito de crescer.