May232013

Solitude

Preciso de muito mais do que lhes é praxe. Eu tenho a audácia de precisar da escuridão, da solidão; a infeliz honra de embelezar a tristeza. Sou o calor se transformando em frieza. Se pudera eu nascer Louva-A-Deus; Pirilampo, que seja! Mas não sei rezar, muito menos iluminar; não sei harmonizar. Não sei tentar, não sei arriscar; sei parar. Sei errar; arrepender-me; repreender-me. Não sei amar. Não sei poetizar; não sei escrever. Mal sei ser; mal o quero, talvez. Quero ver-te mais uma vez; só isso, e partir de uma vez.

May192013

Estás Além de Mim

Eu não vou a lugar algum; eu sou apenas mais um. Peixe no oceano, pássaro no céu, chama do que quiseres. Tu não serias eu se pudesses. Tu, ao invés de vós, porque estás tão perto que não me vês. Tu, ao invés de vocês, porque… sei lá. Porque sim; por que não? São cinco horas da manhã e minha vida ainda não começou. Eu tremo porque não sei aonde vou, se é que vou. Se já não fui; se lá já não estou; si, lá, harmônica a flutuar. Vai, vida… vive. Vai, peixe, nada; vai, passarinho, voa! Ainda são cinco horas da manhã e eu não aprendi a voar. Começo a me perguntar se fui feito somente para procurar…

May172013

Eu Quero Ser Poeta

Eu quero condizer com as minhas mentiras; minhas verdades; minha ambiguidade. Não crio qualquer ardor, mas dor unicolor. Meu escrever não tem flama; eu quero ser poeta, mas poetas não são feitos de lama.

12AM

Inexpressivo

Doce é essa opsialgia que dá ao ser corroído e devorado aos poucos; um privilégio dado aos poucos que somos. Tão poucos. Únicos, no sentido mais puro da palavra. Desfigura-me tu; seja a lâmina sórdida que simetriza as cicatrizes. Seja as margens que guiam esse rio carmesim; este rio que flui em mim. As ideias destorcidas pela corrosão do tempo, impregnadas em meu peito, só mostram o quão distantes todos deveriam estar. Mas não, teimam em ficar. Doce é essa tristeza d’alma; o brilho da estrela d’alva. Como não vêem beldade em tão arguta deformidade? Fugiu, abandonado e sangrando, o escritor; agora, resta somente eu; resta somente… isto.

May162013

Belo Texto Feio

Há trovões no distante; ah, trovões; nu, distante! Não há Céu ou Inferno que me queira. Não há verão ou inverno que me tenha. Minha alma morreu gritando enquanto eu lhe imaginava.

May92013

Liberdade

Minhas palavras são como pássaros: não gostam de ser enjauladas.

May62013

apodrece-me, tempo! em tempo, entenderás. Há uma tormenta cá. que fique claro para todos os olhos, mas tapem os olhos das crianças! que seja cristalino como o rio que me corta: Algo deu errado. Errado. Comigo. Há algo errado comigo. não me acordem, Eu suplico! não guardem essas lembranças de mim; essas palavras que são escritas quando estou Só; que são escritas sempre. escreva! escreva, soldado, escreva! expresse-se e seja mais do que és! ah, eu Quero entender; Viver; quero que o mundo seja Essa minha Fantasia por um segundo qualquer; contudo, quando é, estou a sonhar. não me acordem, eu suplico. deixem-me apodrecer ao som do mar.

10PM

Até Logo

Corre, querida; corre que eu tento atrasá-los. É doce a vingança que borbulha meu sangue. Corre, querida; corre porque a tua vida depende disso. Eu ouço os tambores, as cantigas e os amores. Eles cantam, e dançam, e choram de mansinho; choram quietos para não serem descobertos. E eu aqui, ajoelhado, de peito e braços abertos; matem-me! Dou-te tempo para correr, querida, mas corre! Morre; corre de mim! Ainda há tempo; ah, tempo. Corre, querida, e todos os dias, antes de acordar; antes de morrer; sorrirei uma última vez.

May52013

Oculta Tua Arte

Sou passarinho que não sabe cantar; passarinho que não sabe voar. Sou sapo que não sabe pular. Sou escritor que não consegue escrever; sonhador que quer acordar. Quero nas nuvens estar, porém, não sou passarinho, e se passarinho fosse, não saberia voar. Quero, mas não sei, dançar. Se dançasse contigo, o passo sairia certo; a música, bonita; infinita. Sou prisioneiro da tua guerra; corta-me! Não hei de sangrar, pois sangue não há lá. Se cada estrela fosse uma palavra tua; um olhar, um beijo, tanto faz, o céu apodreceria, fosco, comigo, porque tu és a minha maior obra.

May12013

Nuvem

Nuvem, diz-me tu: o que acontece com um homem bom que consegue o que quer? Ah, Nuvem, diz; um desenho de giz. Vi-te sozinha sob a lua na praia. Quem beijaras primeiro, o horizonte, o mar ou eu? Sou o único que é sempre teu. Espero pelo teu abraço em meus braços; teus traços, já decorados. Nuvem, tu me sorris tão cruelmente. Sob uma luz azulada ao som da areia, ao toque do mar, dá-se o tear de meu mundo oculto. Ah, Nuvem, não dês teu lugar ao Sol. Vem, Nuvem; teu azulado olhar nu, vem. Nuvem, que vai e vem; não vás! Traz o teu ser. Existe, Nuvem; existe de uma vez.

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